NR-36: Segurança e Saúde no Trabalho em Frigoríficos e Abatedouros
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NR-36: Segurança e Saúde no Trabalho em Frigoríficos e Abatedouros
Até aqui, a maior parte dos artigos deste blog tratou da segurança do alimento propriamente dito. Mas existe uma norma que trata de um tema igualmente essencial, embora menos falado: a segurança e a saúde de quem produz esse alimento. A NR-36 é a Norma Regulamentadora específica para empresas de abate e processamento de carnes, e merece atenção tão criteriosa quanto qualquer Programa de Autocontrole sanitário.
Por que o setor tem uma norma específica
O trabalho em frigoríficos apresenta características que justificam uma norma dedicada: exposição a baixas temperaturas em câmaras frias, movimentos repetitivos em linhas de produção com ritmo acelerado, uso constante de instrumentos cortantes, e exposição a ruído e riscos biológicos. A combinação desses fatores torna o setor especialmente suscetível a Lesões por Esforços Repetitivos (LER) e Distúrbios Osteomusculares Relacionados ao Trabalho (DORT), além de acidentes com instrumentos cortantes.
Organização do trabalho e pausas
Um dos pontos centrais da NR-36 trata da organização do trabalho, incluindo a definição de pausas para recuperação psicofisiológica ao longo da jornada, especialmente em atividades de ritmo intenso e movimentos repetitivos. Essas pausas não são apenas um benefício ao trabalhador: são uma medida técnica de prevenção de lesões, com respaldo em estudos ergonômicos específicos para o setor.
Conforto térmico e exposição ao frio
Colaboradores que trabalham em câmaras frias, salas de desossa climatizadas e demais áreas de baixa temperatura precisam de vestimentas adequadas de proteção térmica, além de controle do tempo de exposição contínua ao frio, considerando a temperatura específica de cada ambiente. A norma também trata da necessidade de ambientes de aquecimento (recuperação térmica) disponíveis para os colaboradores que trabalham nessas condições.
Ergonomia e prevenção de LER/DORT
A análise ergonômica do trabalho é elemento central da NR-36, avaliando fatores como repetitividade de movimentos, postura, força exigida em cada tarefa, altura das bancadas e ferramentas de trabalho, e o ritmo imposto pela linha de produção. A norma exige que essa análise seja realizada e que suas recomendações sejam efetivamente implementadas, não apenas documentadas.
Instrumentos cortantes: treinamento e manutenção
O uso constante de facas, serras e outros instrumentos cortantes exige, além dos Equipamentos de Proteção Individual adequados (luvas de malha de aço, aventais de proteção), treinamento específico de técnica de corte segura e rotina de afiação adequada dos instrumentos — uma faca malafiada, contraintuitivamente, aumenta o risco de acidente, já que exige mais força e maior chance de escorregamento durante o corte.
Rodízio de função
Uma medida preventiva bastante utilizada é o rodízio programado de função ao longo do turno ou da semana, reduzindo o tempo de exposição contínua de um mesmo colaborador a um movimento repetitivo específico. Esse rodízio precisa ser planejado tecnicamente, e não apenas informalmente, para realmente cumprir seu papel de prevenção.
Conexão com o restante do Programa de Autocontrole
Vale reforçar: a NR-36 não é um programa isolado da segurança do alimento. Um colaborador exausto, com dor ou desconforto físico recorrente, tende a ter atenção reduzida aos próprios procedimentos de higiene e segurança do produto — o que conecta diretamente a saúde ocupacional à própria eficácia dos demais Programas de Autocontrole já detalhados aqui no blog.
Principais erros encontrados em auditorias de segurança do trabalho
- Ausência de pausas formalmente programadas em atividades de alta repetitividade;
- Análise ergonômica desatualizada em relação ao layout real da linha de produção;
- Instrumentos cortantes sem rotina definida de afiação;
- Ausência de ambiente de recuperação térmica para colaboradores expostos a baixas temperaturas;
- Rodízio de função existente apenas informalmente, sem planejamento técnico documentado.
Conclusão
Falar em segurança de alimentos sem falar em segurança do trabalho é contar apenas metade da história de um frigorífico. A NR-36 existe justamente para proteger quem torna possível toda a cadeia de produção que já detalhei em tantos outros artigos aqui do blog — e merece o mesmo nível de atenção técnica e de gestão dedicado a qualquer Programa de Autocontrole sanitário.
Auxiliamos frigoríficos na adequação de processos e treinamentos conforme os requisitos da NR-36 de segurança e saúde no trabalho.




